Fisioterapia pélvica no pré e pós-parto

A gravidez é uma fase muito desafiante para o corpo da mulher e a fisioterapia torna-se um apoio fundamental à sua saúde, para uma gravidez, parto e pós-parto saudáveis e tranquilos.

Apresentamos-lhe aqui as 5 principais razões pelas quais todas as mães (ou futuras mães) beneficiam de uma avaliação da saúde pélvica:


1. A prevenção é o melhor remédio

Trabalhar no alinhamento e preparação corporal, avaliar o pavimento pélvico e aprender a sincronizar os músculos pélvicos com a respiração abdominal são algumas das razões pelas quais deve consultar o fisioterapeuta durante a gravidez – ou antes mesmo de engravidar! Criar o melhor ambiente para que o feto cresça de forma saudável é muito importante, tanto para o bebé como para a mamã.

Após o parto, existe sempre uma fase em que o corpo da mulher se reajusta, em que recupera do “trauma” que o parto provocou nas estruturas e em que tudo se reorganiza para regressar à função o mais rápido possível. Esta fase pode ser mais ou menos longa, mais ou menos penosa, dependendo em grande parte da preparação e do acompanhamento e orientação profissional que o corpo teve de base.

Ter uma gravidez e pós-parto tranquilos não é uma questão de sorte, mas sim de foco, trabalho e muita preparação. Não deixe nada ao acaso. A prevenção é o melhor remédio!


2. Perceber o que está a acontecer no corpo

Durante a gravidez, e mesmo antes de a barriga começar a salientar-se, o corpo sofre grandes alterações. A postura e a forma como o corpo mexe mudam, a carga nas articulações aumenta progressivamente e os músculos, ligamentos e tecidos moles tornam-se mais flexíveis e elásticos, de forma a permitir que a pélvis se alongue para acomodar o bebé.

As grandes responsáveis por estas mudanças são as hormonas e os efeitos que elas têm no corpo são muito importantes e devem ser considerados em qualquer tratamento ou programa de exercício físico.

A fisioterapia pélvica vai ajudá-la a entender estas mudanças à medida que vão acontecendo. Defendemos que é fundamental que a mulher tenha consciência do que se passa no próprio corpo, pois só assim toma as melhores decisões para si própria, de forma informada.


3. Exercícios de Kegel não resolvem tudo

Se está grávida ou a pensar em engravidar, é provável que já tenha ouvido a palavra “Kegel”: exercícios de fortalecimento específico dos músculos do pavimento pélvico.

Apesar de terem excelentes resultados, cerca de 30% das mulheres não sabem realizar exercícios de Kegel de forma adequada. Além disso, estes exercícios não são recomendados para todos os casos, em alguns é mesmo contraindicado.

A única forma de saber como fazer corretamente um Kegel (ou se o deve fazer) é fazendo uma avaliação com um fisioterapeuta especializado em saúde pélvica.


4. Dores, incontinência, prolapsos: os problemas não se resolvem só com o tempo

A gravidez pode trazer uma série de complicações relacionadas com as zonas mais íntimas e muitas mulheres decidem ignorar e acreditar que, com o tempo, tudo se resolve. Não resolve!

Após o parto, seja ele vaginal ou cesariana, com ou sem episiotomia, é frequente as mulheres desenvolverem dores pélvicas ao retomarem a atividade sexual. Tão frequente que existe mesmo um termo médico para isso: dispareunia. Pode aparecer antes, no início, durante ou após o ato e pode ter várias causas. O fisioterapeuta pélvico avalia o problema internamente, esclarecendo-a sobre o porquê de ter dor e ajudando-a a ultrapassá-la.

O mesmo acontece com a incontinência urinária, que pode ser comum durante os últimos estágios da gravidez e permanecer após o parto. Note que dissemos “comum”, não “normal”. Viver com a angústia de saber onde estão todas as casas de banho públicas no caminho para o trabalho, planear todas as pausas para WC para que não haja perdas inesperadas quando corre para apanhar o autocarro, perder urina quando salta e brinca com os seus filhos é inaceitável e tem uma cura.

Por último, falemos de POP: Prolapso dos Órgãos Pélvicos. Acontece quando os órgãos descem ou caem sobre a vagina. É tão desagradável como soa e em muitos casos, as mulheres não sabem que o têm, ou se sabem, não sabem que a fisioterapia melhora o problema em cerca de 80% dos casos. É possível voltar a correr sem medo que algo salte fora pela vagina e é possível evitar que a situação chegue a um cenário tão desagradável como este. A fisioterapia está aqui para a ajudar.


5. A temida “Barriguinha de Mamã”

A “Barriguinha de Mamã” é a proeminência na zona abdominal baixa que fica após o parto. Esta pequena proeminência é frequentemente mantida, por mais tempo que passe e por mais exercício que a mulher faça. Na verdade, muitos exercícios podem piorar ainda mais a situação. “Diástase Abdominal” é o termo certo e diz respeito ao processo normal de separação dos ventres musculares do reto abdominal durante o último trimestre da gravidez. Esta diástase pode manter-se após o parto, interferindo não só com a estética corporal, como com a estabilidade da coluna vertebral e o funcionamento do pavimento pélvico.


A fisioterapia pélvica pode ajudar a assegurar a integridade dos seus músculos ainda durante a gravidez. Aí vai aprender os melhores exercícios para fazer durante a gravidez para manter a diástase controlada e para promover uma melhor recuperação pós-parto.


Ainda não está convencida? Quais são as suas dúvidas? Fale connosco.

Juntos chegaremos a cada vez mais pessoas, pela saúde da mulher!


Por Rita Fernandes - (especializada em Fisioterapia Uroginecológica - Saúde da Mulher).


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