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ESCOLIOSE

O que é? | Quando tratar? | Como tratar?



A escoliose é definida como uma alteração morfológica tridimensional da coluna vertebral, comumente conhecida como “desvio na coluna” ou “coluna torta”. Resulta no aparecimento de curvas, de rotações vertebrais e num apagar de algumas curvaturas fisiológicas sagitais (numa orientação frente-trás). A curvatura pode desenvolver-se a qualquer nível da coluna e, dependendo das vértebras afetadas, é denominada como escoliose torácica (região dorsal), toracolombar (entre a região dorsal e a lombar) ou lombar (região mais inferior da coluna).


Embora as escolioses possam ser secundárias a alguma patologia, em 70% a 80% dos casos, a escoliose é idiopática, isto é, de causa desconhecida. Segundo a Scoliosis Research Society (SRS), afeta 2 a 3% dos adolescentes, sendo mais frequente no sexo feminino. Isto pode ser explicado pelo pico de crescimento que antecede a puberdade e que aumenta a possibilidade do seu surgimento e progressão. No entanto, pode também surgir em crianças entre os 3 anos e a adolescência. Cerca de 10% dos casos requer algum tipo de intervenção e 0,1% necessitará de cirurgia.


A magnitude das curvas é medida geralmente no plano frontal (lateral), com o recurso ao raio-X, onde é determinado o ângulo de Cobb. O ângulo de Cobb é o ângulo que mede a curvatura da coluna, incluindo todas as vértebras deformadas. Curvas com um ângulo de Cobb até 25o são consideradas curvas suaves. De 25o a 45o são consideradas curvas moderadas e com um ângulo acima dos 45o temos curvas severas.


À exceção de casos extremos, tipicamente, a escoliose não provoca problemas de saúde durante o crescimento. No entanto, se a escoliose ultrapassar um limiar crítico, geralmente a partir dos 30o do ângulo de Cobb, na fase final do crescimento, o risco de problemas de saúde na vida adulta aumenta significativamente. Problemas como dor, limitações funcionais, aumento da deformidade estética, poderão ter repercussões na qualidade de vida. A deformidade estética tem, frequentemente, um impacto negativo nos adolescentes levando, em alguns casos, a distúrbios psicológicos. Em casos mais graves, em idade adulta, pode afetar o sistema respiratório e cardíaco (limitação da capacidade pulmonar e cardíaca), digestivo (azia, obstipação) e reprodutor (disfunção sexual, infertilidade, dificuldade em engravidar, problemas durante o parto).


Legenda: diferentes tipos de escoliose


Apesar da escoliose ser uma condição clínica com carácter progressivo, ainda é controverso o tipo de tratamento a ser utilizado. As principais opções de tratamento incluem exercícios específicos para a escoliose e outras formas de fisioterapia, tal como RPG (Reeducação Postural Global). Em casos mais graves, pode haver indicação cirúrgica. Em curvas abaixo dos 25o do ângulo de Cobb apenas se considera o recurso a fisioterapia, com RPG e exercícios específicos. Curvas acima de 25o podem ter indicação para uso de colete de correcção, juntamente com exercício específico e/ou RPG. Quando estamos perante curvas de 50o a cirurgia é considerada a intervenção mais adequada.


Tanto a RPG como os exercícios específicos para a escoliose têm como objetivo reduzir a deformidade, alterando mecanicamente a musculatura da coluna vertebral e devolver ou preservar a função. Permitem reorganizar e reabilitar todo o sistema neuromuscular, restabelecendo uma postura adequada e os movimentos naturais.


É uma patologia com uma evolução imprevisível que quando acompanhada precocemente pode ver a sua progressão controlada, bem como as possíveis consequências. Contudo, importa referir que o RPG pode receber tratamento em qualquer idade, vendo o utente, melhorada a sua condição funcional e qualidade de vida.

Muitas vezes, é necessário integrar diferentes técnicas, ou valências, para atingir o melhor resultado. Para tal, torna-se fundamental uma boa avaliação e a elaboração de um plano terapêutico, verdadeiramente personalizado para cada caso.


Artigo desenvolvido por: Ana Faria - Fisioterapeuta especialista em Reeducação Postural e Exercício Clínico, da Fisiointegral

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