Dicas para emagrecer


Saiba qual o erro mais comum quando tenta regular ou até perder peso e como resolvê-lo.


Mais do que perder peso, mudar os alimentos, controlar as ânsias e desejos, ou iniciar uma clássica guerra com a balança, o segredo é entender e melhorar a sua relação com a comida e, mais precisamente, com os alimentos.

Nesta altura de férias, tal como toda a gente, lida com um conflito interno. É igual todos os anos. Por um lado, quer estar em forma e sabe que se não se controlar durante as férias, no final vai estar com um tremendo remorso e vai precisar de iniciar uma dieta no momento menos favorável, que é o frustrante regresso ao trabalho, quando mais precisa de compensação para lidar com o início de mais um ano e, aí a comida é um meio fácil e rápido de se confortar..

Por outro lado, quer estar em forma, fazer uma boa figura na praia e não sentir um arrepio, sempre que se vir numa fotografia em fato de banho, desanimar com aquela celulite ou pneu abdominal, ou ter de ficar em apneia, sempre que um telemóvel, ou máquina fotográfica se aproximar de si.


Saiba que uma boa relação com a comida, vai muito além da exigente força de vontade, da exigente escolha de alimentos e respectiva confecção, ou do ridículo controlo de calorias. Tudo isso é trabalhar a jusante, ou seja, sobre o resultado, ou, quando muito, sobre o processo (comer ou não comer). Quando, na verdade, onde deve agir, é sobre a identidade, ou seja, sobre quem é e qual a sua relação com a comida.


Querer melhorar a alimentação agindo sobre os alimentos ou sobre o acto de comer, é como querer virar um carro, virando as rodas.. Sabendo bem que um carro se vira e controla pelo volante, ou mais recentemente e futuramente, com um simples controlo eletrónico, a melhor investida é sobre si mesma(o).


Este é o segredo. Defina-se como a pessoa que quer ser. Defina que tipo de pessoa quer ser quando chega a altura de comer, de escolher uma refeição, de fazer compras, de se nutrir, de se compensar. Quando chega a hora de se alimentar, pense em quem é ou quer ser e haja como tal. Influenciar quem é, tem muito mais resultados do que tentar influenciar o que quer fazer.

Siga-me neste exemplo.

Perante a seguinte pergunta: “este chocolate é óptimo, quer um pouco?”, repare na diferença entre as duas posturas e respostas:

  1. uma pessoa que diz: “não, obrigado, estou em dieta, preciso perder um pouco de peso” – esta é uma pessoa que usa a força de vontade, que actua sobre o processo (comer chocolate), mas que continua a ser uma pessoa que come chocolate, mas que agora se está a controlar, que está controlar o processo (comer) ou o resultado (menos peso);

  2. uma pessoa que diz: “não obrigado, mas não como doces (entenda-se doces, como um consumo de açúcar refinado, não alimentos de sabor doce)” – esta é uma pessoa que actua sobre a sua identidade e a afirma com orgulho e sem receio que é uma pessoa que não come doces, logo, naturalmente, não come chocolate, logo não tem de controlar nada, apenas age em conformidade .

Repare que, para uma pessoa que não come doces, não comer chocolate, não é sacrifício, mas sim uma coerência. Tal como deixar de fumar, a pessoa que passa a fumar metade dos cigarros, perde aos pontos com a pessoa que se assume como não fumadora. Perde, na coerência interna e cerebral e no grau de exigência que é não fumar, ou fumar menos. Estou a deixar de fumar vs estou a deixar de ser fumador; não fumo vs não sou fumador.

Uma pessoa que se assume como não fumadora, ou que não come doces, não fuma e não come doces, ponto final. Não é uma questão de estratégia ou de força de vontade, é simplesmente, um facto e uma coerência com quem é – é a sua identidade.

Assim, criar um hábito (desejado, ou saudável), começa com a mudança de identidade e com a assunção da pessoa que queremos ser. O peso, a saúde, a forma física, o formato do corpo, são só consequências disso mesmo, ou seja, os resultados.

Outra grande mais-valia deste processo, é a consistência e a durabilidade. Não há flutuações.

1º Assume-se como uma pessoa que não come doces;

2º não come doces;

3º como resultado sente-se mais saudável, bonita(o) e com energia;

4º este resultado reforça positivamente a identidade e o processo perpetua-se.

Por isso, se quer controlar o seu peso ou até perder alguns kilos ou gramas, mas acima de tudo, sentir-se saudável, olhe para si, defina uma intenção sobre quem é e como quer ser e o resultado é inevitável.

É claro que o processo não é fácil e que vai sentir-se desafiado muitas vezes e que vai sofrer tentativas de engano levadas a cabo pelo seu próprio cérebro e biologia. Pois há vários tipos de fome que despoletam o impulso de consumo alimentar. Para saber mais sobre este tema, veja ou reveja o live sobre Relação emocional com a comida AQUI

Em resumo, devemos agir sobre a nossa relação com a comida, mais do que agir sobre o processo de comer. Devemos definir a nossa identidade em função de quem somos ou queremos ser, em vez de recorrer ao controlo, pois é assim que conseguimos consistência e resultados duradouros.


Autor: Mário Costa - Fisioterapeuta Especialista e Coach Profissional


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