Como entender a Neuromodelação


Pode existir Dor sem haver uma lesão.



Por outras palavras, não tem de existir uma lesão estrutural para existir uma alteração funcional, acompanhada de sintomas. Esta pode traduzir-se numa dor, numa alteração vascular (mais edema ou alteração da coloração da pele), numa alteração sensorial (formigueiro ou perda de sensibilidade) ou numa alteração motora (diminuição da produção de força, ou diminuição do controlo motor).


Qualquer um destes quadros pode ser encontrado numa lesão estrutural óbvia, como a lesão de um tendão (tendinopatia) ou de um disco intervertebral (hérnia discal), bem identificados por exames médicos, ou, pelo contrário, sem qualquer lesão evidenciada por exames ou avaliações médicas. E isto pode acontecer, entre outras causas, por sobrecarga mecânica do tecido e/ou por consequente adaptação neurológica. Ou seja, um músculo pode estar a trabalhar fora da sua biomecânica original e melhor vantagem mecânica, devido a uma alteração postural, ou do padrão de movimento, levando-o a saturar a sua capacidade de adaptação, gerando um sinal de alerta – a Dor.


Consequentemente, essa saturação, estende-se aos mecanismos biológicos e respetivos tecidos responsáveis pela sua função levando, igualmente, à sua disfunção.


Os nervos responsáveis por esse músculo começam a conduzir mais informação de dor, diminuindo outras informações importantes (sensorial, motora e autonómica). Essa dor ao chegar à espinal medula, na coluna vertebral (1º centro de comando nervoso), ao informá-la que existe um problema no músculo leva a que esta tome medidas no sentido de proteger esse mesmo músculo. Uma delas pode passar por permitir menos movimento desse músculo, colocando-o mais ou menos tenso (variação do tónus). Igualmente, este “alvoroço” informacional na espinal medula, ativa a mediação inflamatória, podendo modificar os processos autónomos (automatizados) que regulam, entre outras coisas, o fluxo sanguíneo que “alimenta” o músculo (e o próprio nervo), diminuindo-o ou aumentando-o, podendo provocar uma rigidez ou um edema (inchaço).


Num momento destes, todo este ciclo vicioso, ocorre sem que haja necessariamente qualquer dano do tecido. Porém, quando tornado crónico, pode vir a originar um dano estrutural.


Outra característica deste processo é o seu carácter segmentar. Ou seja, o efeito descrito ao nível da espinal medula, ao alterar a sua normal funcionalidade, pode transferir os sintomas a outros tecidos controlados por esse nível de inervação, por esse segmento, manifestando-se noutras regiões que não a originalmente alterada. Por exemplo ao músculo do outro lado do corpo, ou a uma víscera, ou a uma articulação.

Tomamos como exemplo um músculo, mas podemos utilizar esta analogia para outros tecidos corporais, bem como para vários segmentos da coluna vertebral.

Tal efeito, está na base de muitos processos de dor crónica e outras patologias sistémicas.


Aquando de uma lesão bem identificada, como uma hérnia discal, por exemplo, há toda uma adaptação funcional no sentido de diminuir a dor e o dano sobre a estrutura, alterando os padrões de movimento e inervação. Esta adaptação funcional, pode manter-se após a diminuição da lesão. Ou seja, após redução da hérnia e cicatrização do disco (ou mesmo após cirurgia), o padrão neural, a forma “viciada” como a inervação periférica está organizada, pode manter-se no tempo. E isto pode traduzir-se num quadro de dor crónica ou simplesmente num padrão funcional pouco vantajoso e até potencialmente lesivo (com o passar do tempo, pode originar nova hérnia, ou outras alterações).


Por isso, se por um lado podemos ter sintomas ou alterações funcionais sem haver uma lesão estrutural, quando há uma lesão estrutural, existe uma adaptação funcional que pode permanecer no tempo, tornando-se sintomática, mesmo após a resolução do dano do tecido.

É neste ponto que a Neuromodelação representa uma solução terapêutica de alta eficácia na regularização da inervação, reduzindo ou eliminando os sintomas e normalizando a função. Isto permite potenciar outro tipo de trabalho fundamentais na reabilitação e na promoção da saúde sistémica, como o Exercício Clínico ou a Atividade Física.



Como entender a Neuromodelação


Gosto de explicar a Neuromodelação aos meus utentes de 2 formas:


1. Imagine que está num café a conversar com um amigo e que nas mesas ao lado se passa o mesmo, amigos a conversar normalmente. Cada mesa equivale a um tipo diferente de fibras nervosas que transporta diferentes tipos de informação. De repente, imagine que numa das mesas alguém começa aos gritos, a falar mais alto todos os outros. Isto vai fazer-nos alterar a nossa conversa, parar de conversar, ou até sair do café. Entretanto alguém vai ter com a pessoa e consegue acalmá-la ou até convencê-la a sair do café, devolvendo a calma e permitindo que todos voltem a conversar no registo inicial, normalizando todo o café. Ora, isso é Neuromodelação.


2. Imaginemos uma orquestra, onde cada músico representa um tipo diferente de fibras nervosas que transporta diferentes tipos de informação. Se de repente, um músico ou grupo de músicos começar a tocar mais alto, desafinado ou fora do ritmo, isso vai estragar toda a música. O maestro vai tomar medidas através da sua batuta (semelhança com agulha de acupunctura) e vai colocar esse(s) músico(s) no ritmo e tom certos de novo. Com essa medida ele normaliza a música. Ora, isso é Neuromodelação.



Neuromodelação

A técnica de Neuromodelação pode ser definida como a estimulação elétrica através de uma agulha, com guia ecográfico, de um nervo periférico em algum ponto do seu trajeto, ou de um músculo em algum ponto motor, com um objetivo terapêutico.


A corrente elétrica utilizada é uma corrente de média ou baixa frequência que, quando aplicada, promove uma resposta sensitiva ou motora normalizando-a.

A intensidade é definida pelo utente, em função do seu limiar motor ou sensorial, sem haver necessidade de entrar no limiar de dor. Ou seja, a velha máxima “quanto mais aguentar, melhor” aqui não se aplica.



Objetivos Principais

Os principais objetivos da técnica, são:

- Diminuir a dor

- Restabelecer a função do sistema nervoso: ao nível periférico, central, somático, autonómico, sensorial, motor, vascular, glandular e visceral

- Melhorar a função neuromuscular, os padrões de recrutamento muscular e o controlo motor



Técnica de aplicação

Tal como todas as outras técnicas, a Neuromodelação é utilizada em conjunto com outras técnicas terapêuticas. É eleita de forma seletiva e específica, enquadrada com um correto e habitual raciocínio clínico. Este decorre de uma avaliação de todo o caso clínico, a qual inclui a constituição da história clínica (ouvindo tudo o que o utente tem para dizer) e um exame físico regional e global (com aplicação de testes e manobras de avaliação).

Antes da aplicação da técnica, é realizado o estudo ecográfico do tecido alvo a fim de validar a aplicação do tratamento e certificar que tal é feito com toda segurança (evitando vasos, outros tecidos nervosos e estruturas que não devem ser abordadas, como gânglios, por exemplo). Após desinfeção e proteção do profissional (lavagem e desinfeção das mãos e colocação de luvas), desinfeção da pele da região corporal a intervir (com solução de álcool e clorhexidina) e proteção do equipamento a utilizar (sonda ecográfica), é introduzida uma fina agulha de acupunctura (estéril e descartável) que, guiada ecograficamente, é colocada na imediação do tecido-alvo (nervo periférico ou ponto motor).

De seguida, a agulha é estimulada externamente por um estimulador elétrico específico, com os parâmetros adequados, tornando-se num condutor da corrente até ao tecido-alvo, provocando o efeito desejado (contração muscular, ou sensação de formigueiro).

Após esta aplicação, é feita uma reavaliação do utente e dos seus sinais e sintomas, confirmando o efeito da técnica.


Efeitos

Logo após a aplicação da técnica, o utente sente uma redução da sua dor (aguda ou crónica). O utente sente uma leveza na região afetada e uma maior capacidade motora, ou seja, consegue mexer melhor a região. Por exemplo, no caso de uma hérnia discal, com dor irradiada para uma das pernas (conhecida como “ciática”), ao levantar-se da marquesa, o utente consegue ficar em pé e caminhar sem dor, ficando até surpreendido com a nova sensação de funcionalidade.


Atualmente a Neuromodelação, ao reduzir a dor e outros sintomas, permite potenciar qualquer tratamento e devolver a qualidade de vida que muita gente tem comprometida ou mesmo perdida.

Abandone a dor e devolva ao seu corpo a melhor função. Vai ver que ele agradece.



Por Mário Costa - (Diretor Técnico da Fisiointegral, especializado em Fisioterapia Invasiva, Medicina Tradicional Chinesa e Osteoetiopatia)


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