Dor lombar: o que é, como pode surgir, como melhorar/gerir/o que há a fazer sobre ela

Updated: Jan 11

A dor Lombar, também conhecida por Lombalgia, é uma dor na região inferior da

coluna vertebral.


E como qualquer dor, é um sinal de alarme de que algo não está bem.

É importante ter presente que para haver dor lombar, não tem, necessariamente, de

haver um dano estrutural (am algum tecido). Por outro lado, a existir um dano (como

por exemplo, uma lesão do disco vertebral), não significa, obrigatoriamente, que a dor

tenha a sua causa nessa alteração.



Considerando a duração, a dor lombar pode ser aguda ou crónica. A dor aguda, é uma

dor normalmente associada a um trauma (como uma queda) ou a uma sobrecarga

(como um esforço, um gesto repetido, ou uma posição exigente mantida no tempo). As

pessoas com dor aguda, normalmente referem-se ao gesto despoletador como “um

jeito”. Considera-se crónica, a dor que persiste por mais de 3 meses. Em muitos

casos, esta dor não é constante, mas permanente. Ou seja, não está sempre

presente, mas aparece em dias diferentes, ou em momentos diferentes do dia (por

exemplo só à noite, ou só de manhã).

O portador de dor lombar crónica (quando leve), tende, erradamente, a adaptar-se a

ela, sendo comum, em consulta, não a referirem como uma disfunção existente.


Quanto a localização, a dor lombar pode variar entre regional, referida e irradiada. Isto

é o um dos aspectos que torna esta condição tão desafiante e complexa. A dor

regional ocorre quando doi na região lombar e a pessoa consegue dizer e, até palpar

onde doi. A dor referida, é uma dor mais espalhada e inexpecífica, com origem noutro

local que não a região a lombar. Um exemplo disto é a dor lombar com origem numa

disfunção visceral (órgão interno), como por exemplo o intestino ou estômago. Tal

acontece pelo facto desse órgão interno partilhar o mesmo nível de inervação da

região dolorosa. A dor irradiada, é uma dor que se prolonga pelo percurso de um

nervo com origem na região lombar (e/ou sacro). Um exemplo muito comum destes

casos é a “dor ciática”, que tipicamente se traduz por uma dor que percorre a região

posterior da perna, podendo ir da lombar até ao 1º dedo do pé passando pela nádega.

Esta ocorre pela afeção, ou sensibilização do nervo ciático (de quem herdou o nome).


Muitas vezes a dor lombar é referida como dor lombo-sagrada, quando esta se

estende à região do sacro (região subjacente e inferior à coluna lombar).

Não obstante esta classificação, a dor lombar pode conjugar estas 3 localizações, o

que pode agravar e confundir todo o quadro clínico. Esta condição requer uma

avaliação muito objectiva a fim de apurar os pontos-chave de intervenção, com maior

eficácia e sucesso.


Como qualquer dor, a dor lombar pode ser multifactorial. Pode ter várias e diferentes

causas que, em proporções variáveis constroem a experiência de dor que a pessoa

tem.

A dor pode ter como causa um estímulo nociceptivo, decorrendo de um estímulo

doloroso local, quando, por exemplo, uma faceta articular (articulação ente vértebras)

está afectada ou sensível.

De entre os estímulos locais que podem provocar a dor, podemos considerar:

 factores anatómicos, como as articulações vertebrais, os músculos, os

ligamentos ou os discos vertebrais;

 factores biomecânicos, como a mobilidade ou rigidez, a postura;

 factores neurofuncionais, como os terminais nervosos e a sinergia e qualidade

da activação muscular;

 factores neurovasculares, alterações da vascularização da região;

 factores imunológicos, como doenças inflamatórias ou autoimunes;

 outros, como tumores ou outras condições igualmente graves.


Além destes estímulos dolorosos locais, existem outros factores que, associados a

estes ou isolados podem provocar uma experiência de dor lombar. Estes são

particularmente importantes quando falamos de dor crónica, pois não podemos

esquecer que a dor é percepcionada no cérebro.

Estas são algumas causas que podem contribuir para a dor lombar:

- Stress;

- Estado de humor e emoções;

- Sono;

- Alterações viscerais;

- Sensibilização central (sistema nervoso central mais sensível);

- Postura;

- Relações sociais e familiares;

- Satisfação laboral;

- Medicação;

- Outros.


O mais importante na dor lombar é avaliar a pessoa na sua globalidade (como um

sistema complexo que é), identificar o(s) pontos-chave interveniente(s) na dor e agir

sobre eles.

Tal como a possível causa, esta avaliação deve ser multifactorial e considerar todos os

elementos atrás descritos, conjugando-os de forma objectiva e coerente. Uma

chamada de atenção para os exames complementares de diagnóstico, como a

ressonância magnética. Estes, apesar da sua alta especificidade, não decretam o

diagnóstico, apenas contribuem com mais informações para o mesmo. Muitas vezes

não “detectam” nenhuma alteração e a pessoa tem dor na mesma.


Estes são os elementos a ter em conta quando avaliamos a dor lombar

(principalmente a crónica):


 Postura estática e dinâmica (coluna, pés, relação oculomotora);

 Mobilidade (da coluna e de outras regiões e segmentos);

 Padrões de movimento e qualidade de gestos desportivos ou laborais;

 Qualidade muscular (força, sinergia, controlo);

 Resposta fisiológica ao Stress;

 Vascularização (trofismo local);

 Acção nervosa (reflexos, sensibilidade, força);

 Sono (qualidade e consistência);

 Alimentação (macro e micro nutrientes, hidratação, carácter inflamatório);

 Estado mental e emocional;

 Qualidade das relações sociais;

 Entre outros.


Seguindo o princípio da avaliação, o plano terapêutico, deve ser suficientemente

abrangente e objectivo, de forma a integrar, sistematicamente, as várias valências e

técnicas dirigidas a cada causa.

O Plano deve ser sempre orientado ao problema e não ao(s) sintoma(s).


Qualquer plano terapêutico deve abordar a componente funcional e a componente

estrutural (caso exista). Isto é dizer que por trás de uma disfunção como a dor lombar,


existe sempre alguma alteração funcional, podendo, ou não, existir uma alteração

estrutural. O que acontece, muitas vezes, é uma alteração funcional, mantida no

tempo, pode levar a uma alteração estrutural. Por exemplo, uma alteração postural, ou

um padrão motor desajustado, pode, no tempo, levar a uma lesão no disco.

Assim, o que o profissional e o utente, se devem questionar, sempre, é sobre o

porquê e sobre a origem da disfunção.

Cada caso é um caso, e, por isso, não há 2 tratamentos exatamente iguais. Logo,

cada plano terapêutico é único e verdadeiramente personalizado.


Dentro do plano terapêutico, devemos ter conhecimento, experiêcia, tecnologia e

técnicas para abordar o problema de forma global. De seguida expomos alguns

métodos que, conjugados, podem constituir uma solução eficaz:


 Eletrólise Percutânea;

 Neuromodelação;

 Eletroterapia de baixa e média frequência;

 RPG - Correcção Postural Global;

 Eletroterapia de Alta frequência (Diatermia, Micro-Ondas);

 Exercício Clínico;

 Magnetoterapia de Alta Intensidade;

 Nutrição;

 Podologia (Palmilhas de Correcção);

 Controlo de Stress;

 Melhoria do Sono;

 Ergonomia Laboral;

 Acupunctura;


Em suma, para resolver uma dor lombar, devemos ter uma visão e uma intervenção

global e integrada, considerando todo o indivíduo e orientando o processo na direcção

da causa do problema.


Por: Mário Costa

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